Um encontro técnico, uma missão: fortalecer a cafeicultura da região Oeste da Bahia. Este foi o objetivo do Encontro Técnico do Café promovido pela Associação dos Cafeicultores do Oeste da Bahia (ABACAFÉ), em parceria com a Fundação Bahia, neste último sábado, dia 16 de abril. Palestras técnicas, vitrines tecnológicas para exposição de cultivares de café e apresentação de plot’s demonstrativos das pesquisas feitas durante o ano levaram técnicos, agrônomos, consultores, gerentes de fazendas e cafeicultores ao campo experimental da Fundação BA, para uma manhã de diversificada programação.

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Ao fazer a abertura oficial do evento, a vice-presidente da Fundação BA, Zirlene Pinheiro, disse de sua satisfação com a presença dos produtores, bem como enalteceu a importância da realização do encontro técnico. “Fico feliz quando vejo tantos produtores, pois geralmente apenas os funcionários participam dos encontros técnicos. E hoje temos um número significativo de produtores presentes para esse intercâmbio de ideias e troca de experiências”, disse.

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O presidente da Abacafé, Marcos Pimenta, agradeceu a presença de todos e ressaltou que as informações difundidas no encontro técnico devem contribuir para a melhoria do manejo e, por consequência, da qualidade das lavouras de café da região. “Temos aqui, hoje, técnicos, cafeicultores, gerentes e muita informação a ser compartilhada. Espero que esse dia de campo seja proveitoso e que consigamos sair daqui ainda mais qualificados para alavancar a nossa cafeicultura baiana”, destacou.

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Pimenta lembrou ainda que a realização do encontro técnico faz parte de um conjunto de iniciativas adotadas pela entidade em sua nova gestão. “A Abacafé tem buscado, durante todo esse período, levar informações técnicas e difundir a cafeicultura em dias de campo, reuniões, parcerias diversas, enfim, tentando buscar tecnologias que embasem melhor os nossos projetos. Já estamos colhendo alguns frutos, a exemplo da parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que tem conduzido diversas pesquisas na região”, disse. Outra iniciativa importante que deve trazer benefícios para a cafeicultura da região diz respeito ao fortalecimento da parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, que deve intensificar os treinamentos para qualificação da mão de obra.

Manejo do bicho-mineiro

Na sequência, convidado pelo presidente da Abacafé, o orientando de doutorado, Thiago Lima Melo, representando a professora Maria Aparecida Castellani, Dra. em Proteção de Plantas/UESB, ministrou palestra sobre o “Manejo do bicho-mineiro: situação atual e perspectivas”. Em suas palavras, o pesquisador disse que não se pode comparar o comportamento da praga nas diferentes regiões cafeeiras. “No Oeste da Bahia se tem muitas particularidades, que diferem das demais regiões produtoras do Brasil, em temperatura, umidade, posicionamento geográfico. Então, essa praga se comporta de forma muito diferente e ocasiona prejuízos às lavouras. O maior dano provocado se dá nas folhas, provocando lesões necróticas, que implicam na queda dessas folhas e que, por consequência, resultam na diminuição do pegamento e peso dos frutos, retardo significativo no crescimento e diminuição da primeira produção”, destaca.

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O pesquisador ressaltou ainda a respeito do ciclo da praga do bicho-mineiro que, segundo a literatura, costuma variar de 19 a 87 dias. Esse período costuma depender, ainda, das condições climáticas, especialmente em relação à temperatura: quanto maior, menor é o ciclo da praga. “Informações de pesquisas realizadas aqui na região apontam que, a depender da época do ano e a temperatura que se atinge, o ciclo dessa praga ocorre dentro de 15 dias. Por isso é necessário manter a praga dentro dos níveis de equilíbrio. Quando essa população cresce de forma continua e atinge determinados níveis de dano, é preciso haver a intervenção do homem com qualquer forma de controle, seja ele químico, biológico, cultural, para fazer com que esta população volte ao seu nível de equilíbrio”, ressaltou.

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Disse, ainda, em sua apresentação, sobre a importância do manejo integrado e de que a forma como isso será conduzido dependerá muito das particularidades do ambiente. “Não podemos considerar o manejo realizado em Minas Gerais e São Paulo com aquele que deve ser feito aqui, no Oeste da Bahia. Ainda conhecemos pouco das particularidades da região”, enfatizou. Ao fim da palestra, todos foram convidados a conhecer o parque tecnológico de cultivares e visitar as estações em meios aos cafezais, oportunidade em que puderam assistir à apresentação dos trabalhos de pesquisa da Fundação BA e debates técnicos com as empresas parceiras: Arysta LifeScience, Dupont, Fertilizantes Heringer, JCO Bioprodutos e UPL Crop Nutrition. Ao final do roteiro nas estações, encerraram o encontro técnico com um debate livre.