Objetivo da degustação foi avaliar a qualidade do café produzido no oeste baiano sob a influência do fungo Cladosporium cladosporioides

          Com o objetivo de avaliar a qualidade do café produzido no oeste da Bahia sob a influência do fungo Cladosporium cladosporioides, mais conhecido como “fungo do bem”, a Associação dos Cafeicultores do Oeste da Bahia (Abacafé) e a JCO Bioprodutos promoveram na última sexta-feira, 09, com uma comissão composta pelos cinco melhores degustadores da região, uma Análise Sensorial de Café. A degustação, realizada na sede da Cooperativa Agropecuária do Oeste da Bahia (Cooproeste), considerou aspectos como fragância/aroma, uniformidade, ausência de defeitos, doçura, sabor, acidez, corpo, finalização e equilíbrio – segundo critérios da organização internacional Specialty Coffee Association of America (SCAA).

             De acordo com o técnico agrícola da JCO, Ednaldo Santos da Silva, o fungo está sendo avaliado na região desde 2008, na Fazenda Campo Aberto, pela empresa na qual trabalha. Da sua utilização inicial aos dias atuais, outras propriedades passaram a fazer o uso do fungo nas lavouras de café da região. Devido à qualidade conquistada, participou de diversas competições e obteve colocações satisfatórias. “Somente o produto biológico tem essa propriedade. Os fungos já são usados há muito tempo, mas somente este confere o atributo do sabor. Este fungo demonstrou que, além de proteger a planta de outros fungos prejudiciais à qualidade da bebida, ele também confere um aroma diferenciado, o que interfere de modo significativo na qualidade da bebida que é consumida”, disse o técnico, que também é administrador, classificador e degustador.

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            A melhoria na qualidade a partir do uso do fungo pode ser justificada porque transfere açúcar para o grão e com isso, confere melhor sabor. A ação benéfica do fungo é confirmada também pelo responsável de qualidade da Cooproeste, Ronaldo Henrique Silva. “A cafeicultura  do oeste baiano já possui uma qualidade muito boa, mas com essa nova pesquisa vimos que a influência do fungo produziu um café com ainda mais corpo, doçura, sabor e aroma. Isso é muito importante para o nosso café, porque percebemos que essa nova pesquisa deu ainda mais consistência e isso é muito positivo do ponto de vista da valorização do produto. Acredito que, com essa melhoria da qualidade, o uso desse fungo deve ser ampliado, sendo adotado pelos demais produtores da cultura”, destacou.

Análise sensorial

            Durante a análise sensorial, os degustadores avaliaram as amostras de café de propriedades que fizeram o uso do fungo e, também, daquelas que não utilizaram nesta safra. Enviaram amostras de café para participação, as fazendas Olinda, Agronol, Café do Rio Branco e Carvalho, que fizeram uso do fungo nas lavouras cafeeiras. As fazendas Rio de Janeiro, Lagoa do Oeste, Campo Aberto, Tupi e Santa Colombo, também enviaram amostras, mas com café plantado sem a influência do fungo.

            Conforme avaliação dos degustadores, o café produzido com a ação do fungo Cladosporium Cladosporioides resulta em uma bebida de alta qualidade, com sabor cítrico e acaramelado, sem adstringência, boa doçura, uniforme, bom balanço (equilibrada), bom corpo e boa acidez, com pontuação para ranquear entre os melhores a nível região e nacional. A degustação foi realizada pelo responsável de qualidade da Cooproeste, Ronaldo Henrique Silva; pelo gerente de qualidade da Grãos do Cerrado, Reinaldo Cerqueira Neto; pelo gerente de qualidade da Agronol, Jéder de Oliveira; pelo auxiliar de classificação da fazenda agronol, Rafael José da Silva e pelo classificador e degustador da Synagro, Caio Ataíde Borges Vasconcelos

Sobre o fungo

            O Cladosporium Cladosporioides encontra-se no fruto durante todas a fases do seu desenvolvimento, expressando-se após a maturação. Tem característica de bioproteção contra doenças degradadoras de frutos e age na manutenção da qualidade de bebida. As primeiras observações deste fungo em campo foi realizada pela Drª Sara Chalfoun, da EPAMIG de Lavras (MG), em 1989. Em pesquisa, descobriu-se as propriedades biofungicidas que combatem outros fungos (Fusarium, Penicillium, Aspergillus) que deterioram o café.